IFPA tem dois projetos finalistas na Febrace 2025
“Verniz Ecológico” e “Parentesco, Política e Redes Sociais: Um Estudo sobre Hierarquias e Conflitos nas Relações Familiares em Grupos de WhatsApp no Contexto das Eleições Presidenciais de 2018 e 2022” são duas pesquisas paraenses finalistas da 23ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) 2025.
Os dois projetos são de autoria de estudantes e educadores do IFPA, campi Itaituba e Belém. Ficaram entre os seis projetos do estado do Pará e entre os 22 da Região Norte classificados entre os 276 trabalhos selecionados em âmbito nacional para participar da Mostra de Projetos da Febrace.
A Mostra da Febrace é aberta à visitação da comunidade externa da USP e ocorrerá entre os dias 24 a 28 de março, no Campus da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo. Se escolhidos, os dois projetos estarão entre os nove que representarão o país no Regeneron Isef 2025. A mostra ocorrerá no piso térreo do Instituto Pasteur de São Paulo (InovaUSP) e a premiação ocorrerá no dia 28, no Centro de Difusão Internacional da USP.
“Verniz Ecológico”
“Verniz Ecológico” é uma inovação desenvolvida por estudantes e professores do IFPA, campus Itaituba. Trata-se de um produto à base de própolis e andiroba, com capacidade de garantir a funcionalidade do verniz tradicional, tais como a durabilidade, a estética e a proteção das superfícies. Tem a vantagem de ser uma composição renovável e não tóxica, livre de componentes químicos perigosos, de fácil aplicação e baixo impacto ambiental. O produto pode ser aplicado para impermeabilizar a superfície de móveis, cercas e madeiras em geral para protegê-los de insetos, fungos e variações climáticas.
A pesquisa foi inscrita na área de Engenharia Civil e foi credenciada junto à Febrace pela VI Feira de Ciências e Mostra Científica de Itaituba (Fecmita). É resultado das pesquisas realizadas pelos estudantes Débora Cristina Oliveira da Rocha, Erick de Farias Costa, Ingrid Karolaine Leal Nelo. A equipe foi orientada pela professora Corina Fernandes de Souza e coorientada pelo professor Éfrem Colombo Vasconcelos Ribeiro.
Os jovens começaram os estudos identificando as substâncias, os elementos e as reações físico-químicas que compõem e garantem as funcionalidades do verniz industrial. Eles também identificaram os danos ambientais e à saúde humana decorrentes da produção e da utilização desse produto. A partir desses resultados, buscaram identificar substâncias e elementos regionais para produzir um verniz biodegradável e sustentável ambientalmente.
Foram feitas revisões bibliográficas sobre substâncias naturais e regionais, buscando identificar suas propriedades. Depois, foram realizadas as análises práticas e testes em laboratório com as substâncias própolis e óleo de andiroba. “Esses estudos confirmaram que o própolis e óleo de andiroba eram os ingredientes ideais para o desenvolvimento do verniz ecológico, tendo o óleo da andiroba a função de dar brilho à madeira e o própolis a função de proteger a madeira”, detalhou a estudante do curso Técnico em Edificações Ingrid Karolaine, 17 anos.
A ideia de criar o verniz ecológico surgiu da preocupação com os impactos que o verniz industrial causa ao meio ambiente e à saúde humana. “Após várias pesquisas, conseguimos desenvolver o verniz ecológico à base de substâncias naturais e regionais com o objetivo de amenizar os impactos causado por um ingrediente não biodegradável presente no verniz industrial”, explica Ingrid Karolaine.
Para a professora Corina de Souza, é muito bom estar entre os finalistas. Ela destaca que a educação ofertada pelo IFPA é voltada para o desenvolvimento regional. Busca estimular a proposta de soluções sustentáveis por meio de pesquisas científicas desde o ensino médio técnico. “É um sentimento de muita felicidade. Será uma experiência maravilhosa a nossa participação na maior feira de ciências brasileira, pois vamos expandir nossos conhecimentos ao compartilhar nossas pesquisas e conhecer outras”.
Parentesco, Política e Redes Sociais
“Parentesco, Política e Redes Sociais: Um Estudo sobre Hierarquias e Conflitos nas Relações Familiares em Grupos de WhatsApp no Contexto das Eleições Presidenciais de 2018 E 2022 (7934)” foi inscrito na Febrace na área de Antropologia. É um artigo científico resultante de pesquisa desenvolvida pela estudante do curso Técnico em Eletrotécnica do Campus Belém, Alice Vitória Leal Lima, e a estudante do Licenciatura em Letras Adrienny Carolina Ramos Souza, e orientação do professor Breno Rodrigo de Oliveira Alencar (Orientação).
As eleições presidenciais de 2022, assim como as de 2018, no Brasil, ficaram marcadas pela participação massiva da população nas redes sociais digitais em um contexto de intensa polarização política.
A pesquisa realizada por Alice e Adrienny revelou que os conflitos familiares motivados pelo processo eleitoral presidencial se intensificaram entre 2018 e 2022, principalmente após a divulgação do resultado do segundo turno. “A partir das experiências que tivemos nos grupos de família do WhatsApp durante esse período eleitoral, surgiu o interesse em compreender as razões e dinâmicas desses conflitos, bem como seus desdobramentos”, relata a estudante Alice Lima.
Para compreender este fenômeno, as pesquisadoras elaboraram e aplicaram um questionário a estudantes do ensino técnico e de graduação matriculados no Instituto Federal do Pará (IFPA) pela plataforma Google Forms. Os dados obtidos revelaram que, em razão do processo eleitoral e dos conflitos políticos nos grupos familiares, mais da metade dos respondentes informaram ter bloqueado ou sido bloqueados por algum familiar.
O resultado desse estudo aponta também que dois em cada três membros não retornaram ao grupo familiar após as eleições, e aqueles que o fizeram demoraram de 6 meses a 2 anos para voltar. Por fim, a pesquisa mostra que a ideologia política do parente que saiu ou foi expulso do grupo de família do WhatsApp é, em sua maioria, de esquerda. Devido à polarização ideológica e às disputas de poder político-ideológico no ciberespaço, as pesquisadoras identificaram uma hierarquia entre os participantes, onde membros específicos detém o “poder” de remover outros em decorrência de divergência de opiniões sobre política.
O trabalho das jovens aponta que a família é um lugar de vínculos significativos e um componente importante da saúde mental de seus integrantes. A diversidade e a alteridade entre as pessoas de uma família são inevitáveis e, geralmente, saudáveis. Porém, nos tempos atuais e digitais, foi perceptível que a tolerância à frustração diminuiu bruscamente, e que bastava um clique para bloquear qualquer informação divergente. Assim, cada um cria uma bolha digital isolada dos assuntos que não deseja ouvir.
Mas a vida real, presencial, não funciona desta maneira. Os conflitos são importantes transformadores, necessários para colocar a vida social em movimento. Ouvir opiniões diferentes também é importante para nossa construção crítica. A questão é encontrar um equilíbrio, sem varrer os conflitos para baixo do tapete e nem colocá-los no centro da mesa, e sim administrá-los das formas possíveis. No entanto, nem sempre isso é possível.
Os resultados finais do estudo demonstraram que os administradores desses grupos de família apresentaram um comportamento agressivo, silenciador e hierárquico em relação aos parentes pertencentes à corrente ideológica de esquerda, provocando uma censura aos posicionamentos mais democráticos. Além disso, os administradores também tinham “o poder de expulsar” do grupo de família o membro que não concordava com as ideologias direcionadas à direita. “O trabalho de investigação científica constatou que grande parcela dos parentes que estavam na posição de administradores, enquadra-se como homens cisgêneros, heterossexuais, religiosos e mais velhos”, explica Adrienny Souza.
Sobre a participação da Febrace, as pesquisadoras sentem que é uma forma de reconhecimento. “Ser finalista da FEBRACE é motivo de grande orgulho e felicidade para mim, pois demonstra a qualidade e relevância da pesquisa”, comenta Alice Lima. “Ser uma finalista na Febrace é especial. Me sinto feliz de representar o IFPA numa premiação dessa magnitude. Então fico contente por ter chegado até aqui, apesar das dificuldades”, expressa Adrienny Souza.
Para o professor Breno Alencar, os estudos apontam que houve uma crescente polarização política no Brasil a partir de 2013, que se acentuou em especial nas eleições para presidente da república em 2018 e 2022. As eleições presidenciais geraram tensões não só no âmbito político partidário, adentrou o ambiente familiar. A situação foi tão tensa, que muitos deixaram de falar com seus familiares e até os excluíram dos grupos e redes sociais on-line.
“A família tem um valor muito grande na nossa trajetória enquanto nação, enquanto país. Por este fato, nossa pesquisa se debruçou sobre como a política institucional ou a política partidária pode afetar a nossa dinâmica doméstica em que o parente, o familiar, venha a ser prejudicado”, esclarece professor Breno Alencar.
O tema política, depois das duas últimas eleições presidenciais, virou tabu. E, na visão do professor Breno Alencar e das estudantes é algo muito problemático. “À medida que nos afastamos do debate sobre política, seja ela partidária ou institucional, nós não temos a possibilidade de discutir aquilo que faz parte do nosso dia a dia”, enfatiza. “Como é que vamos discutir o saneamento, saúde e educação uma vez que não se pode falar de política no ambiente doméstico. Então, é muito importante que a gente possa refletir sobre como a política está inserida no nosso ambiente doméstico?”, afirmou.
Sobre a participação do IFPA na Febrace, o professor Breno Alencar destaca que essa classificação revela a valorização dada pela instituição à pesquisa. “O trabalho de nossos estudantes, no sentido de produzir conhecimento de altíssima qualidade, significa mais oportunidade de divulgação. Este ano, nós já ganhamos o Prêmio Jovem Cientista, um prêmio nacional, talvez o mais importante do Brasil. E agora, temos a chance de ganhar a Febrace”. é
Fecmita e Febrace
A Fecmita é uma Feira de Ciência e Mostra Científica na Região de Integração do Tapajós (Itaituba, Aveiro, Jacareacanga, Novo Progresso, Rurópolis e Trairão). Em 2024, esta feira se afiliou à FEBRACE –Feira Brasileira de Ciências e Engenharia. Os dois eventos incentivam a cultura científica, investigativa, a inovação, a criatividade, o empreendedorismo e a criatividade na educação básica e técnica. Busca identificar talentos, valorizar a criatividade na elaboração e execução de projetos e propiciar o debate sobre as estratégias e mudanças necessárias para a popularização da ciência.
Para participar da Febrace, os projetos precisam ter no máximo três autores, um orientador e um dos autores precisa participar da etapa presencial. Os estudantes devem estar matriculados nos 8.º e 9.º anos do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e no Ensino Técnico, de escolas públicas e particulares de todo o território nacional durante o ano de desenvolvimento e submissão do projeto.
Mostra Virtual da Febrace
A equipe do projeto “Verniz Ecológico” produziu um vídeo explicando o passo a passo seguido no desenvolvimento do trabalho e apresentando as vantagens do produto elaborado no Campus Itaituba. O vídeo participa da Mostra Virtual da Febrace 2025. Nesta mostra, a visualização e a interação (curtidas) serão consideradas para definir os vencedores.
Acesse o link para conhecer melhor o projeto e apoiar os estudantes de Itaituba: https://youtu.be/yW9xQ3ttK4E?si=YfLsRIxH1BZyw2zW
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