A maternidade do ponto de vista plural e decolonial é a mais nova obra da EdIFPA lançada durante a Jornada Meninas na Ciência

Refletir sobre a maternidade e tudo o que ela engloba é pensar em valores, cultura, pluralidade de visões, construção de narrativas e políticas. É pensar na continuidade da vida e da sociedade, sonhos e frustrações, direitos e deveres. O assunto perpassa a trajetória de todas as mulheres, sejam elas mãe ou não, estudantes ou profissionais. Todas essas discussões foram abordadas pelo e-book ‘A maternidade e o lugar social das mulheres: Uma perspectiva decolonial”.
A obra, editada e publicada pela EdIFPA, Editora do Instituto Federal do Pará, foi lançada no dia 11 de fevereiro, no auditório do Campus Belém, durante a VI Jornada ‘Meninas na Ciência’. A autora, Dra. Priscilla Bezerra Barbosa, e o coordenador da editora, o professor Raimundo Adalberto Pacheco de Pinho, dialogaram com as servidoras e estudantes participantes do evento sobre os capítulos e a perspectiva escolhida pela autora.
Pacheco ressalta que a obra é uma importante contribuição para o campo das ciências sociais e humanas. Ela reúne percepções, artigos e estudos que exploram a maternidade sob diferentes perspectivas, abordando temas como a maternidade nas comunidades rurais e urbanas, os desafios enfrentados por mães solo, e a maternidade no contexto das relações de gênero, raça e classe. Detaca a importância de um olhar plural, decolonial e inclusivo sobre a maternidade, oferecendo uma visão abrangente e multifacetada desse fenômeno social.
A autora parte da própria experiência com a maternidade, o ser mulher e as opressões vividas, passando por um olhar histórico acerca do que se denomina gênero e percorre os caminhos que tornarão possível uma compreensão de categorias como mulher, família, maternidade e os lugares sociais que estas delineiam e lhes são impostos. “As reflexões foram organizadas de acordo com os pontos explorados a partir de um viés que se quer decolonial. Tomei com base as abordagens teóricas da filósofa nigeriana Oyèrónké Oyěwùmí, da filósofa argentina María Lugones e da doutora em psicologia clínica Valeska Zanello”, pontua Priscilla Barbosa.
A obra discute a família nuclear patriarcal, a heteronormatividade e o amor romântico. Faz pensar sobre estruturas opressoras. As relações entre casamento e maternidade, a centralidade do corpo na construção das hierarquias e poder. Com base em autoras e autores indígenas, busca levar à reflexão sobre a maternidade e sua importância política. Apresenta a maternidade profanada e a sacralizada pelo Estado, duas perspectivas fundamentadas em dados estatísticos que desnudam a omissão do Estado.
A intenção de Priscilla Barbosa é politizar e complexificar as percepções do leitor e leitora sobre quais mulheres e quais maternidades cabem nas percepções hegemônicas. “Quais noções de maternidade ainda carregamos em nossa sociedade? Quais possibilidades outras são passíveis de serem almejadas para que mudanças sociais significativas possam ocorrer?”, indagou à plateia ao relatar exemplos de sua vivência como mãe e profissional.
Durante o evento, as participantes tiveram a oportunidade de interagir com a autora e compartilhar suas experiências e vivências sobre a maternidade. Servidoras e estudantes relataram as dificuldades enfrentadas no ambiente escolar para ter o direito de exercer a maternidade, poder dar toda a assistência aos filhos no momento em que eles precisavam e exercer uma profissão e ou continuar os estudos. As discussões abordaram tópicos relevantes como a ausência de políticas de apoio à maternidade e acolhimento às mulheres mães no espaço escolar e profissional, o impacto da maternidade na carreira profissional das mulheres e a necessidade de um sistema de saúde que contemple as especificidades da maternidade em diferentes contextos sociais.
A obra está disponível para ser acessada, lida ou baixada no site da EdIFPA. Ou lida clicando em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://proppg.ifpa.edu.br/documentos-e-formularios/editora-ifpa/2794-e-book-maternidade/file
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