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Soluções desenvolvidas por estudantes do IFPA garantem premiação no 30º Prêmio Jovem Cientista

  • Publicado: Segunda, 17 de Fevereiro de 2025, 15h42
  • Última atualização em Segunda, 17 de Fevereiro de 2025, 15h42
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Ferramenta contra assédio sexual on-line e instrumento de inclusão escolar foram as soluções desenvolvidas por alunas do Instituto Federal do Pará (IFPA) vencedoras Prêmio Jovem Cientista. As premiações do IF foram nas categorias Ensino Superior e Ensino Médio. O tema desta edição da competição foi “Conectividade e Inclusão Digital”.
O evento correu em Brasília, na quarta-feira, 12 de fevereiro, com a presença dos estudantes premiados e seus orientadores, a ministra da Ciência e Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão e do secretário-geral da Fundação Roberto Marinho (FRM), João Alegria.
A vencedora na categoria Ensino Superior é a estudante do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas no IFPA campus Belém Arienny Carina Ramos. Ela desenvolveu a pesquisa “Gênero e Poder no Ciberespaço: a Dinâmica do Assédio Sexual contra Estudantes do Sexo Feminino nas Redes Sociais online”. Integrante do Núcleo de Pesquisa em Educação e Cibercultura (Nupec) da instituição, Arienny contou com a orientação do professor Breno Rodrigo de Oliveira Alencar.
O ponto de partida da pesquisa de Arienny foi o levantamento de evidências da ocorrência de assédio no meio escolar. Ela relembra que localizou uma página criada por estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) onde localizou 12 denúncias de abusos realizados por professores. A partir desses relatos, ela elaborou um questionário semiestruturado para verificar se fatos semelhantes ocorreram ou ocorriam dentro do IFPA em todas as modalidades de ensino. E depois, ela realizou uma entrevista via google meet. E os resultados apontaram que abusos ocorreram. O próximo passo foi pensar nas ferramentas para ajudar as estudantes identificar as situações de assédio e como denunciá-los. “As entrevistas foram extremamente complicadas, pelo medo que as mulheres assedias tinham de sofrerem represálias por parte de seus abusadores. Embora o questionário tenha sido bem populoso, o número amostral de entrevista foi baixo por conta deste medo. Pelo fato de eu ser mulher e ao mesmo tempo estudante do IFPA foi bem difícil desenvolver esta pesquisa”, detalha.
Por conta das pesquisas sobre gênero, Arienny participou do Meninas na Ciência e foi bolsista CNPq. E, a partir dos resultados alcançados, ela desenvolveu uma cartilha para auxiliá-las na identificação e denuncia de assédio on-line. “A bolsa Meninas na Ciência é uma iniciativa extremante importante do IFPA que garante que mulheres como eu, oriundas da periferia, de baixa renda e de escola pública, a conseguirem se manterem na graduação, sobre tudo, de dar continuidade a suas pesquisas científicas com apoio da bolsa”, ressalta.
“Para mim, foi uma honra ter sido contemplada com o primeiro lugar da categoria Educação Superior do Prêmio Jovem Cientista CNPq”, comenta Arienny. Ela explica que essa foi a primeira vez que um instituto federal vence na categoria Ensino Superior. E espera que essa pesquisa represente todas as mulheres negras das periferias que chegarem ao ensino superior.
“É extremamente gratificante representar o Instituto Federal. Foi lá que eu tive a oportunidade de acessar um ensino de qualidade. Com professores excelentes em suas áreas de ensino. Agradeço aos professores de minha área, Biologia. Em especial, o Dr. Breno Alencar, que com tão pouco fez o que era preciso para solucionar os problemas para prosseguirmos com a pesquisa”, avalia Arienny. “Através de minha premiação, acredito que as pessoas podem acreditar nos IFs. O IF faz pesquisa de qualidade com recursos próprios, através de parcerias, financiamento e editais no Pará e na Amazônia”, ela finaliza.
Maysa Grazielle dos Santos Pessoa, 18 anos, do curso Técnico em Informática, do IFPA campus Altamira, conquistou o terceiro lugar na categoria Estudante do Ensino Médio com a pesquisa “TECSCOPE 3D: Uma Alternativa de Microscópio para o Ensino Médio no Xingu, Amazônia”. Ela contou com a orientação da professora Laísa Maria de Resende Castro.
Para tornar as aulas de Biologia mais dinâmicas, a alternativa encontrada por Maysa foi desenvolver um projeto que pudesse ser feito em impressora 3D. “O protótipo foi criado utilizando uma impressora com um filamento biodegradável de PLA e lentes biconvexas reaproveitadas”, explicou.
“É um sentimento indescritível de orgulho, alegria e gratidão! Foi uma experiência única e enriquecedora a oportunidade de mostrar o potencial e a criatividade dos paraenses e dos estudantes do IFPA campus Altamira no Prêmio Jovem Cientista. Estou muito feliz e realizada por esta vivência”, expressou Maysa Pessoa.
A orientadora de Maysa Pessoa, a professora Laísa Maria de Resende Castro destaca que o projeto apresentado pelo IFPA Altamira estava alinhado à temática desta edição da premiação, Conectividade e Inclusão Digital. “O TECSCOPE 3D, um microscópio alternativo desenvolvido no Xingu, representa uma inovação significativa ao democratizar o acesso à educação e à ciência”. Ele permite que o ensino de ciências alcance uma abordagem mais prática, especialmente em regiões onde equipamentos científicos convencionais são inacessíveis, o que garantiu o terceiro.
Essa premiação, na visão da professora Laísa, é o reconhecimento de uma trajetória de pesquisa construída com dedicação e superação. “Foram anos enfrentando desafios como a falta de infraestrutura e a ausência de equipamentos científicos básicos. Receber um prêmio dessa magnitude, sendo de um campus do interior, reforça que a excelência científica não está restrita aos grandes centros. Além da visibilidade, essa conquista inspira nossos discentes e docentes a seguirem inovando”, afirma.
Para o orientador de Arienny, professor Breno Alencar, a combinação da relevância social do tema escolhido por ela e o rigor metodológico adotado foi determinante para o sucesso da pesquisa. Para compreender a realidade sobre assédio sexual virtual, eles iniciaram a pesquisa a partir dos registros de denúncias de assédio virtual, depois fizeram o levantamento de dados e entrevistas. “Além disso, contar com o apoio institucional do IFPA, através da oferta de bolsas e verba de custeio, foi essencial para transformar as demandas das alunas em uma pesquisa sólida, articulando múltiplos olhares (da Antropologia, das Ciências Biológicas e da própria comunidade acadêmica)”, complementa.
“Acredito que qualquer projeto que alinhe engajamento social, coerência científica e interdisciplinaridade tem grande potencial de conquistar reconhecimento em premiações como esta”, destacou professor Breno.
Sobre o significado da premiação, professor Breno Alencar enfatiza que é reforça a credibilidade da produção científica do IFPA e incentiva os estudantes a acreditarem em si e em seus projetos. “A premiação traz um sentimento de pertencimento e empoderamento para mulheres e meninas, mostrando que nossa instituição apoia pesquisas que enfrentam desigualdades e buscam soluções práticas”. E finaliza, “... acredito que o maior ganho está em aproximar a academia das demandas sociais, demonstrando que iniciativas de investigação científica podem, sim, gerar transformações concretas e promover mudanças estruturais em prol de uma sociedade mais justa”.

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