Reitora do IFPA ministra palestra de abertura da I Formação em Liderança Feminina do IFRN

A Reitora do Instituto Federal do Pará (IFPA), Ana Paula Palheta, ministrou a palestra de abertura da I Formação em Liderança Feminina, promovida pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). O evento é uma realização da Assessoria de Gênero e Diversidade (ASGEDI) do IFRN e aconteceu nos dias 11 e 12 de novembro, em Natal, com o objetivo de ampliar a participação e permanência das mulheres nos cargos de gestão. A formação era voltada aos membros do Colégio de Dirigentes (CODIR), diretoras e diretores, além de servidoras e servidores interessados no tema.
O evento gratuito ofereceu uma programação com atividades formativas sobre o desenvolvimento de lideranças femininas no âmbito acadêmico e administrativo. Entre os temas abordados estavam: autoconhecimento, feminismo, autoestima e desafios para a atuação feminina em posições de poder. A palestra ministrada pela Reitora do IFPA, intitulada “Gênero e gestão na Rede Federal: um olhar para a liderança feminina”, traçou um breve panorama da liderança feminina ao longo da história e trouxe dados de uma pesquisa realizada no âmbito da Rede Federal.
Ana Paula Palheta ressaltou que aquele era um dia histórico, afinal, era a primeira vez que se fazia um curso de formação de liderança feminina na Rede Federal. “Isso, por si só, já deve ser motivo de muito orgulho para a instituição”, afirmou. A palestra começou com uma contextualização histórica, a Reitora contou que a Grécia antiga é considerada democracia até hoje, quando esse assunto é estudado no Ensino Fundamental, no entanto, nessa época, as mulheres não eram contempladas. “É de muito cedo que a gente vem trazendo que a exclusão é legítima, a gente nem se dá conta, a gente naturaliza e essa exclusão é retratada de várias formas”, disse Ana Paula.
A Reitora também apresentou uma linha do tempo com os vários impeditivos da participação feminina na esfera pública. “A nossa história é uma história do cerceamento feminino, bastou as mulheres terem conhecimento sobre algumas manipulações do ambiente natural por meio das suas ervas, por meio da sabedoria ancestral, que já foram taxadas de bruxas”, disse, mas também ressaltou que no século 17 já havia mulheres fazendo ciência, o que significa que elas sempre estiveram nesses lugares, só não estavam sendo vistas, estavam sendo cerceadas.
“Essa caminhada de impeditivos, até a gente ganhar ‘permissão’ para estarmos aqui, é uma caminhada, uma trajetória, que envolveu inúmeros contextos, e hoje, se nos é permitido, se nos é possível pensarmos em ocuparmos determinados espaços, certamente estamos honrando a nossa ancestralidade. Imagina se não tivesse ninguém aberto o caminho antes, imagina se não tivesse mulheres em todas essas esferas, na ciência, na literatura, na própria atividade de gestão, na atividade política, pleiteando os nossos direitos, teríamos ainda mais dificuldade”, relatou Ana Paula.
A palestrante também apresentou os dados da sua pesquisa sobre a gestão feminina na Rede Federal. De acordo com a pesquisa, das 140 mulheres entrevistadas, de todas as regiões do país, 50% ocupavam Cargos de Direção (CD), mas só 13,5% tinham mais de 5 anos de gestão e apenas 16,8% foram eleitas em funções de CD. A partir desses dados, a reitora fez uma provocação para a plateia, pedindo que respondessem por que mulheres não se candidatam. O grande fator que apareceu na pesquisa foi o medo que ainda cerca todas as mulheres.
Por fim, a Reitora encerrou a palestra dizendo que no serviço público as mulheres têm oportunidades e condições de construir uma trajetória de prestígio e ressaltou a importância do preparo, de conhecer a instituição e da sororidade e apoio mútuo entre mulheres. Além disso, afirmou que é preciso gostar de quem se é, manter a postura, saber viver no coletivo e começar pelo começo, para isso, indicou perfis em redes sociais de mulheres que falam sobre gestão feminina.
O evento ainda teve um Painel com lideranças do IFRN. O curso de formação será dividido em três módulos e algumas aulas acontecem em dezembro, nos dias 05 e 06. O módulo I é intitulado “Tornar-se mulher”, o módulo II tratará de “Gênero e dispositivo do cuidado” e o módulo III será sobre “Liderança feminina”. A formação visa proporcionar um ambiente de maior proximidade e discussão entre as participantes.
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