Connepi reuniu mais de 900 trabalhos em quatro sessões de pôsteres

Sessão de pôsteres, mostra tecnológica, apresentação dos Desafios de Ideias, painel temático, fórum dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) e fórum das Editoras Norte-Nordeste, mostra audiovisual, mesas-redondas e palestras foram as atividades do segundo dia do Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação (Connepi), nesta quarta-feira, 28 de agosto, em Belém. O evento segue até 29 de agosto com a programação ocorrendo no Hotel Sagres. Acesse a programação completa e o mapa do evento aqui.

Com 980 trabalhos inscritos, as quatro sessões de pôsteres ficaram lotadas durante a manhã e tarde. Cada sessão, com duração de duas horas, foi organizada para comportar 245 trabalhos, com os banners dispostos próximos uns dos outros e intercalados entre os 18 institutos da região Norte-nordeste. O público pode conferir pesquisas sobre gameficação, redes e modelagens de computadores, estudo de precipitação pluviométrica, ensino de ciências, mudanças climáticas, telemedicina, práticas extensionistas, gestão ambiental, metodologias e didática, automação em mineração, protagonismo estudantil, integração tecnológica educacional, histórias em quadrinhos, arborização urbana, protótipos feitos à base de material reciclável, diagnósticos e caraterização de espaços públicos, estudos de planície de marés, usinas fotovoltaicas, jardim sensorial, revolução da internet das coisas, aplicativos de monitoramento e controle de equipamentos, produção de substratos a partir de caroços, estruturas prediais, viveiros de mudas, saúde, formação de professores, reflexão sobre egressos, iniciação docente, residência pedagógica, inclusão, ensino de robótica, inovação em física, manejos de quintais agroflorestais, integração vertical de produção de frangos, recuperação de solos degradados, estudo de espécies aquáticas, composição química de óleos essenciais, controle e monitoramento de processos industriais, cultura maker, tecnologias assistivas, educação profissional e tecnológica, desmatamento da Amazônia, divulgação científica, controle de pragas, uso de vozes para a construção de posicionamento em notícias, letramento literário, realidade aumentada, segurança do trabalho, confecção de foguete de olimpíada, estudos de composição química, estudo do custo de cesta básica, carvão e bioenergia, abelha sem ferrão, rastreamento, mapeamento e análise de acidentes, tecnologia da informação, picles probiótico, educação financeira, análise físico-química da água, levantamento de produção de patentes, terapia ocupacional, identificação e análise de perfil de usuários de tecnologia e centros tecnológicos, seleção de pessoas pelo setor comercial, índice de poluição, identificação fúngica, saber popular, estudos de fungos, educação a distância, geoprocessamento, automação, produção de material didático.

Os painéis temáticos ocorreram no salão Amazonas. O primeiro foi proferido pelos professores Cléo Quaresma e Sérgio Brazão e Silva. Os dois trataram do tema “Sociedade e meio ambiente: Educação Tecnológica para Resiliência Climática: Inovações e Soluções Sustentáveis”. Destacaram que a Amazônia não é uma região uniforme, composta unicamente por água e floresta, mas um bioma que abrange grande diversidade de flora e fauna, inclusive deserto, pântanos e caatinga, populações e cidades. Diante deste cenário e dos rigores das variações do clima, eles afirmaram que cabe também aos estudantes e pesquisadores a missão de responder quais adaptações são necessárias para enfrentarmos estas mudanças. “As grandes enchentes e secas extremas sempre ocorreram ao longo da história, no entanto, eram previsíveis. Porém, nos últimos anos, os modelos matemáticos já não conseguem prevê-los. Passaram a ser recorrentes e se intensificaram, não sabemos se os biomas vão se recuperar”, alertou Cléo Quaresma.
Os professores Sérgio e Cléo apontaram que são muitas as vulnerabilidades humanas e que as principais são de âmbito econômico e geográfico. O aumento das queimadas, a fumaça que avançam sobre as cidades; os garimpos irresponsáveis que contaminam peixes, as águas e o solo, o aquecimento da água são exemplos de reflexos da ação humana. As variações na temperatura vêm impactando negativamente, a cada ano, mais a produção agrícola voltada para a alimentação humana. E a resiliência para cada ambiente (montanha, rios, campos, cidades e costas) é que permite identificar os problemas, propor e implantar soluções. Afirmaram que já há soluções, porém por serem mais caras são ignoradas pelos poderes públicos e gestores.
A proposta do professor Sérgio, diante desse cenário preocupante, é a atuação política dos institutos e universidades, centro de pesquisas, estudantes e pesquisadores, a quem cabe exigir a adoção pelo poder público das melhores soluções já apontadas pelos estudos. A criação de bosques nas cidades, adoção de telhados verdes, arborização de ruas e bairros, a adoção das tecnologias menos danosas para o meio ambiente. Estas foram algumas das medidas citadas por ele que podem e devem ser adotadas para enfrentar o novo cenário climático.

Para o estudante do Instituto Federal do Pará (IFPA) campus Abaetetuba Nalberth Batista Farias, 24 anos, as sessões de pôsteres estavam muito interessantes. “São muitas realidades diferentes do cotidiano que estamos acostumados no Pará. Então, a gente pode conhecer trabalhos com outras temáticas e abordagens. Muitas inovações e tecnologias. Foi possível comparar o que estamos fazendo aqui com o que eles estão fazendo lá fora”. Ele prestigiou também a palestra dos professores Cléo e Sérgio e avaliou a temática sobre o aquecimento como muito preocupante. “Há um grande descaso frente a essa realidade. A gente não vê melhorias e pouco tem sido feito para frear o desmatamento e as queimadas”.

O segundo dia de Connepi foi também um prazo decisivo para os participantes do Desafio de Ideias. Pelos menos 10 institutos participaram do evento. O estudante Vitório Alves Moreira Sousa Santos, 20 anos, é um dos integrantes do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) campus Araguatins. Seu grupo buscou propor uma solução para resolver a evasão de estudantes dos cursos superiores de seu campus. “O desafio de ideias nos permite refletir e propor estratégias para sanar um problema específico que estamos enfrentando. Nós evidenciamos esta realidade evasão com base nos dados e vivência pessoais. Levantamos as hipóteses que poderão solucionar este problema”.
O professor Paulo Ernandes da Silva, orientador da equipe do campus Araguatins, detalha que a solução proposta pelo grupo é um aplicativo para interligar estes acadêmicos que desejam evadir do curso, muitas vezes por problemas financeiros, com o mercado de trabalho. Serão inseridos no mercado do trabalho como trainee e executando atividades de sua área de formação. O papel do professor, segundo ele, nesta atividade é só ouvir e apoiar os estudantes. “Quero dizer a estes alunos que as ideias deles são maravilhosas. Nós estamos aqui para aplaudir, apoiar e ajudá-los a crescer. Queremos parabenizar o Pará pela grande quantidade de trabalhos submetidos. Os trabalhos são de alto nível e a gente só tem aprendido aqui. Os trabalhos de sustentabilidade, profissionalização e os de georreferenciamento nos ajudam a mentalizar que existem muitas áreas que podemos trabalhar no Tocantins”.
Outra participante do desafio de ideias foi a estudante do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) campus Picuí Ana Laura de Souza, 17 anos. Ela explicou que fizeram um quadro de hipóteses para validar a solução que estavam propondo para o tratamento de crianças com TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Para ela, o desafio é uma ótima oportunidade de lançar um produto. “Tivemos mentoria antes de vir para o Connepi, na primeira fase. Uma segunda para aprender como apresentar a ideia e o projeto. E outra para sanar dúvidas e construir o protótipo”.

No Fórum das Editoras dos Institutos Federais do Norte-Nordeste as representantes tiveram a oportunidade de relatar a composição de suas unidades, a trajetória, as publicações, as experiências exitosas e os desafios. A diretora executiva da Editora do Instituto Federal do Maranhão (EDIFMA) Camila Ferreira Santos Silva comentou que este fórum no Connepi foi muito importante para a troca de experiências exitosas. “Serviu para observarmos que enfrentamos os mesmos problemas e vermos como cada um resolveu certas questões”.
A diretoria de Extensão, Relações Interinstitucionais e Desporto (Derid) Adrieny Bernardo de Oliveira acompanhou a mostra audiovisual na sala Tapajós. Ela observou que alguns documentários contaram com um bom público e outros se esvaziaram devido às apresentações dos pôsters. Os estudantes participantes do Connepi puderam assistir a “O futuro da Medicina”, um curta-metragem que fala de inclusão, acesso e sobre as tendências com o avanço das tecnologias que permitem o atendimento de forma personalizada. “Quem saiu para entrega” é um curta que aborda a solidão e a rotina de jovens que deixam de estudar para trabalhar, uma reflexão sobre o trabalho.
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